Demência vascular: o que esta doença faz com o cérebro?

A demência vascular é uma síndrome que pode atingir muito as pessoas conforme o envelhecimento, principalmente a quem não tem hábitos de vida saudáveis, não exercita o cérebro ou possui herança genética.

O que é a Demência Vascular?

A Demência Vascular é caracterizada por uma doença, a qual pode causar perda de memória em pessoas, principalmente aquelas que estão na terceira idade e possuem maior risco de ter um AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou possuem problemas de diabetes ou obesidade.  Este problema se refere a qualquer demência que tenha como causa uma doença vascular encefálica.

Estudos mostram que no Brasil, o Alzheimer é o primeiro tipo mais comum de demência, e em segundo lugar entra a DV. Por volta de 30% dos idosos com idade acima de 85 anos sofrem com a Demência Vascular, principalmente os homens. Normalmente, são consequência de grandes lesões, causadas quando um coágulo acaba bloqueando a passagem sanguínea no cérebro (AVC isquêmico).  Se o coágulo for causado por arritmia cardíaca, ele será classificado como demência por infartos múltiplos.

A princípio, a doença causa certa dificuldade para raciocinar ou julgar. Mais para frente, a patologia vai afetando a memória. Ter o controle dessas ações que afetam a saúde cerebral e cardiovascular auxiliam no atraso da doença, além disso, medicamentos utilizador no controle do Alzheimer também são capazes de controlar sintomas cognitivos.

Principais causas da doença

  • AVC isquêmico (várias lesões por embolia no cérebro);
  • AVC hemorrágico;
  • lesão em regiões estratégicas, como o tálamo ou giro angular esquerdo;
  • Síndrome Lacunar;
  • mudanças crônicas na circulação do cérebro;
  • Doença de Binswanger ou Leucoaraiose (longas lesões da substância branca);
  • AAC (Angiopatia Amiloide Cerebral).

Sendo assim, são considerados fortes fatores de risco HAS (Hipertensão Arterial Sistêmica), Diabetes, álcool, tabaco, doenças no coração. aterosclerose, obesidade e dislipidemia.

Diagnosticando a Demência Vascular

O diagnóstico da doença é baseado no quadro clínico do paciente e exames de neuroimagem, que podem ter parâmetros definidos através de escalas, como: Hachinski e escala Rose. Seus diagnósticos são diferentes em cada tipo de demência, mas fatores mostram que elas podem surgir ao mesmo tem que a doença do Alzheimer por exemplo.

Para diagnosticar o DSM-IV, os seguintes critérios são seguidos:

  • Indícios de lesão cerebral e vascular;
  • fortes danos ocupacionais e sociais;
  • danos à memória;
  • problemas de linguagem (Afasia);
  • problemas para fazer tarefas (Apraxia);
  • dificuldade no reconhecimento de objetos (Agnosia);
  • problemas de planejamento, de ordem ou de abstração.

Estes sintomas podem estar presentes principalmente em momentos de delírio.

Tratamentos

Demência vascular - tratamento
Imagem por: Freepik

Um bom tratamento consiste em:

  • prevenir lesões cerebrais, utilizando medicamentos anti-hipertensão e doenças Prevenção de novas lesões cerebrovasculares por exemplo usando anti-hipertensivos e antitrombóticos (se forem necessários);
  • métodos farmacêuticos neuroprotetores, que agem na ativação do cérebro, tratam problemas psiquiátricos e  retiram medicações com efeitos colaterais muito altos, como hipotensores, que causam redução na capacidade cognitiva;
  • adaptação de ambientes conforme a dificuldade do idoso, auxiliando no seu deslocamento;
  • auxílio familiar e da cuidadores.

O tratamento com medicações pode reduzir e trazer estabilidade para o processo no qual o cérebro dos pacientes com Doença Vascular se deteriora. Pesquisas que consistiram num acompanhamento de 5 anos apontaram de 6% dos pacientes tiveram o nível de deficiência cerebral reduzida, e suas alterações de humor foram revertidas num nível de 40%, assim, conseguiram se manter independentes.

Como a depressão é uma doença frequente, alterações no comportamento e TDA (Transtorno de Ansiedade) acabam se associando a demência, por isso, é importante ter um acompanhamento psicológico para os pacientes e seus familiares, já que esse processo colaborativo muda a qualidade de vida de ambos. Esse acompanhamento normalmente se baseia em exercícios estimulantes cerebrais, grupos de apoio, instrução para lidar com os problemas e testes psicológicos, para avaliar se as capacidades do cérebro.

” É possível evitar a repetição desses episódios que podem ser causa de demência vascular com o controle dos níveis de colesterol e de glicemia, da obesidade, com a prática de atividade física e se a pessoa parar de fumar. O sistema nervoso central tem capacidade de reorganizar-se depois de uma lesão. Não diria que o problema seja reversível, mas é tratável e há como interferir para que não progrida. Se não mais ocorrerem acidentes vasculares, o indivíduo se estabiliza e pode recuperar-se satisfatoriamente.”

— Ricardo Nitrini, professor e médico da faculdade de medicina da USP.

Agora que você sabe mais sobre a Demência Vascular, é importante sempre se cuidar e ter hábitos de vida saudáveis, para não ser acometido por essas doenças comuns na terceira idade.

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